Inadimplência bate recorde
Aumento deve-se ao endividamento do consumidor e ao descontrole ao assumir dívidas 21/08/2014 12:59
» Vander Nagata
O número de pessoas inadimplentes bateu recorde este ano. Levantamento da Serasa Experian aponta que 57 milhões de brasileiros têm dívidas em atraso e, por isso, tiveram o nome incluído na lista de inadimplentes. O número é maior do que o verificado em agosto de 2013, quando foram registrados 55 milhões. No mesmo mês de 2012, eram 52 milhões de pessoas.

De acordo com os especialistas da Serasa Experian, o aumento do número de inadimplentes deve-se ao crescente endividamento das famílias e ao descontrole do consumidor ao assumir novos financiamentos, sem considerar as contas fixas mensais e outras dívidas já contraídas. Parcelamento de compras com juros altos (como de imóveis e carros), bem como as altas taxas cobradas pelo uso do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito, também são fatores que comprometem o orçamento e ajudam a levar as famílias para o caminho da inadimplência. As dívidas não bancárias, como carnês de lojas e aquelas contraídas junto aos bancos, foram as principais responsáveis pela alta da inadimplência.

Apesar dos índices elevados, a situação não é alarmante. "O patamar da inadimplência poderia ser superior, mas a evolução da renda e o desemprego baixo estão atenuando este cenário. A atual situação é preocupante, pois revela que do total da população brasileira com 18 anos ou mais (144 milhões de pessoas), cerca de 40% está inadimplente. Mas não é alarmante, pois o volume de dívidas da maioria (2) não é alta. A situação, no entanto, exige acompanhamento com atenção dobrada", afirma o superintendente de Informações sobre Consumidores da Serasa Experian, Vander Nagata.

Para o superintendente, a tendência crônica ao descontrole deve ser combatida com educação financeira. "Transformar o conhecimento básico sobre educação financeira em comportamento consciente, evitando a compra por impulso ou para ostentação, é o desafio do brasileiro, que hoje gasta mais do que ganha e não poupa, apesar de ter consciência da importância destas atitudes."

Por outro lado, ao credor faltam informações para uma avaliação mais precisa da real capacidade de pagamento, contemplando o nível de endividamento que o cliente já possui.  "Pelo lado do credor, verifica-se a falta de informação sobre o real nível de endividamento das pessoas. As empresas devem se cercar de ferramentas que reduzam o risco na hora da concessão de crédito", alerta o superintendente.

"O crédito é um poderoso instrumento para o desenvolvimento econômico, mas se for pago. Se houver calote é prejudicial, pois destrói valor e afeta a qualidade de vida dos cidadãos, que passam a enfrentar as dores de cabeça do superendividamento, e de toda a cadeia produtiva. Empresas, sociedade civil organizada e governos devem encarar o grande desafio de educar financeiramente nossos consumidores", aponta Vander Nagata.
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