Cenário econômico e crédito
Acrefi reúne especialistas para debater sobre situação atual e comportamento do consumidor 23/09/2016 11:15
Os impactos da educação financeira e do uso sustentável do crédito, nos últimos anos, devido às mudanças significativas no perfil de renda da população e suas decisões de consumo, têm ganhado cada vez mais importância no cenário econômico. Atenta a esses movimentos, a Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) reuniu, em São Paulo, especialistas para debater o tema. Para Hilgo Gonçalves, presidente da Acrefi, a sustentabilidade do crédito aliado ao consumo consciente são pilares fundamentais para manutenção de um bom ambiente financeiro. "No atual momento econômico, o uso responsável do crédito é um dispositivo importante para o crescimento do País. As empresas também têm papel importante nesse processo", afirma ele.
 
Ele mencionou que atualmente vivemos um período de retomada da confiança. "Precisamos trabalhar em cima de uma agenda única, em que os interesses do Brasil estejam primeiro lugar. O crédito é um grande aliado no desenvolvimento do País. Devemos lembrar onde estávamos e para onde queremos ir. Um dos nossos principais aliados é a sustentabilidade do crédito, ferramenta que permite a conquista de sonhos", enfatizou o executivo, alertando para o detalhe que as pessoas mais bem informadas levam, consequentemente, à redução da inadimplência. "Precisamos trabalhar cada vez mais pelo bom uso do crédito e a Acrefi apoia um movimento nacional em prol da educação financeira, concluiu Gonçalves".

Isaac Sidney Menezes Ferreira, diretor de relacionamento institucional e cidadania do Banco Central, mostrou dados que somos um dos maiores países em termos de alta diversidade socioeconômica. "Temos a quinta maior população do mundo, com 206 milhões de habitantes, dos quais 159 milhões são adultos. Desse contingente, 68% possuem conta no sistema financeiro e 34% deles são tomadores de crédito". Ele ainda comenta que quanto menor o nível educacional e a renda, menor é o acesso à internet. Entre os adultos (15-64 anos), 69% têm baixo padrão educacional, 27% são analfabetos funcionais e 42% são considerados de nível elementar. O Brasil apresenta o menor percentual de adultos com poupança, comparado com outros países, até mesmo abaixo da América Latina. "Fortalecer o hábito de poupar é um desafio relevante", afirmou.
 
Um dos dados que preocupa, mediante análise do diretor do BC, é que os cidadãos de menor renda são os mais numerosos entre os tomadores de crédito. "Até três salários mínimos contabilizam 63,9% de tomadores de crédito; de três a cinco salários, 13,7%; de cinco a dez salários, 11,8%; e acima de dez salários, 7,7%. Ou seja, temos um grande compromisso pela frente para inserir esses cidadãos em programas de orientação financeira", reconheceu o diretor do BC. Ele finalizou ainda que educar é um trabalho desafiador, que existe foco e sacrifício. "O Banco Central acredita que esse é um trabalho coletivo, em que os resultados dependerão da concordância e da união das instituições financeiras".

Carlos Henrique Alves, gerente executivo de varejo - microfinanças do Bradesco, falou sobre o empreendedorismo e a educação financeira como atitude de sucesso. "Precisamos criar uma sinergia entre quem consome e quem concede o crédito. Esperamos uma retomada da economia em 2017, que envolve a reconquista de 700 a 800 mil vagas de trabalho, e o crédito é parte desse processo", pontuou. Alves projetou a importância de empreender com energia, renovação, em um mundo que a informação é dinâmica. "O empreendedorismo faz parte desse crescimento, amparado em conceitos de orientação financeira. É um sistema de engrenagens, no qual todas as instituições devem trabalhar de forma conjunta e coordenada, ajudando as pessoas a organizar e estruturar sua vida financeira", explicou.

André Eduardo Demarco, diretor de engenharia de produtos, serviços e educação da BMF&Bovespa, falou a respeito dos benefícios da bolsa educacional para o desenvolvimento do mercado, em um ambiente de ensino contínuo. "Fazer todo mundo crescer é o que faz sentido. O processo de educação financeira passa pela contribuição individual de cada um. Poupança e investimento são importantes e, nesta trajetória, trabalhamos por meio do nosso instituto educacional a orientação financeira, com vídeos para crianças, adultos e cursos voltados para cada área de atuação do indivíduo", detalhou.
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